Gestão de perecíveis no verão: blindando o estoque contra o desperdício

Para quem opera no setor de alimentação fora do lar, a equação do verão é impiedosa: enquanto o salão lota com turistas e clientes em busca de lazer, a cozinha enfrenta seu maior desafio térmico. 

O maior inimigo do lucro em janeiro é o lixo. O calor excessivo e a umidade elevada, típicos desta estação, atuam como catalisadores biológicos que aceleram a deterioração de hortifrútis, laticínios e proteínas.

A gestão de perecíveis deixa de ser apenas uma rotina operacional para se tornar uma estratégia financeira de sobrevivência. Um controle frouxo durante os meses quentes resulta em descarte de mercadoria, elevação do Custo de Mercadoria Vendida (CMV) e riscos sanitários inaceitáveis. 

Este texto serve como um manual técnico sobre armazenamento inteligente, desenhado para ajudar o seu estabelecimento a atravessar o verão com a lucratividade preservada e a segurança alimentar garantida.

O rigor começa na doca: termometria e recebimento

A batalha contra o desperdício é vencida ou perdida no momento em que o caminhão do fornecedor encosta na sua doca. No verão, a disparidade entre a temperatura interna do veículo refrigerado e a área de recebimento (muitas vezes exposta ao calor da rua) pode ultrapassar 30°C.

Para uma gestão de perecíveis eficiente, o uso de instrumentação adequada é inegociável. O termômetro infravermelho é excelente para uma triagem rápida da temperatura superficial das caixas e embalagens, permitindo identificar se houve quebra de frio no transporte. 

No entanto, para proteínas como carnes e pescados, o infravermelho não basta. É necessário o uso de um termômetro de penetração (devidamente higienizado) para aferir o núcleo do produto ou entre embalagens.

Pela legislação vigente, carnes resfriadas não devem ser aceitas se estiverem acima de 7°C, e pescados frescos exigem temperaturas próximas a 2°C ou 3°C. No caso de congelados, a tolerância é mínima: o produto deve chegar duro, sem sinais de descongelamento e recongelamento (cristais de gelo excessivos na embalagem). 

Se a mercadoria chegar fora desses parâmetros, a gestão de perecíveis exige a devolução imediata. Aceitar um produto aquecido é importar um prejuízo certo para dentro do seu estoque.

Engenharia de armazenamento: a ordem correta na câmara fria para uma boa gestão de perecíveis

Uma vez dentro do estabelecimento, a organização da câmara fria ou das geladeiras industriais define a longevidade do insumo. A circulação do ar frio é vital; portanto, jamais bloqueie os ventiladores do evaporador com caixas empilhadas até o teto. É preciso manter um distanciamento mínimo de 10 a 20 cm das paredes e garantir que nada esteja diretamente no chão (o uso de pallets de plástico laváveis é obrigatório).

Além da circulação de ar, a disposição dos alimentos deve seguir uma hierarquia vertical baseada no risco de contaminação cruzada, respeitando a gravidade. Fluidos descem, e com eles descem as bactérias. A organização deve seguir esta ordem, de cima para baixo:

  1. Prateleiras superiores: alimentos prontos para consumo (sobremesas, frios fatiados) e laticínios. Estes itens não sofrerão nova cocção, portanto, não podem receber nenhum respingo.
  2. Prateleiras intermediárias: alimentos pré-preparados, legumes higienizados ou carnes cozidas que serão reaquecidas.
  3. Prateleiras inferiores: a “zona suja” biologicamente. Aqui ficam as carnes cruas (bovina, suína e aves) e pescados crus. Estes alimentos exsudam líquidos (sangue e água) que são ricos em carga microbiana. Devem estar sempre em caixas contentoras plásticas para evitar vazamentos no piso.

O mise en place fracionado como barreira térmica

Um erro clássico em cozinhas profissionais durante o verão é manter grandes quantidades de insumos expostos na bancada de montagem. O calor da cozinha, somado à temperatura ambiente, cria uma “zona de perigo” (entre 5°C e 60°C) onde as bactérias se multiplicam exponencialmente.

Para blindar a operação, adote o mise en place fracionado. A lógica é manter o estoque principal (o lote maior) refrigerado na câmara fria o tempo todo. Para a bancada, o cozinheiro deve levar apenas a quantidade necessária para cobrir 30 a 60 minutos de operação.

Utilize GNs (cubas gastronômicas) menores e mais rasas nas pistas frias. Isso garante que todo o alimento esteja em contato com a refrigeração e facilita a reposição frequente. Ao repor, nunca jogue o alimento novo e gelado por cima do antigo e aquecido. 

Troque a cuba suja por uma limpa e cheia. Essa técnica não apenas melhora a qualidade visual do prato servido ao cliente, mas é uma tática fundamental de gestão de perecíveis para evitar que sobras de bancada tenham que ser descartadas ao final do turno por excesso de tempo de exposição.

Leia também: Como planejar o sucesso de um negócio gastronômico

Inteligência na escolha de produtos para reduzir desperdício do estoque

Outra forma eficaz de proteger sua operação no verão é substituir processos manuais de alto risco por produtos industrializados com tecnologia de conservação. Certos insumos in natura são extremamente vulneráveis ao calor e exigem manipulação complexa que, se falhar, gera grandes perdas.

Um exemplo crítico são as sobremesas à base de ovos, como mousses. O uso de ovos crus no verão aumenta drasticamente o risco de contaminação por Salmonella, além da quebra técnica (ovos estragados ou quebrados). 

Uma solução inteligente é o uso de bases preparadas para sobremesa, como as da marca Qualimax. Por serem produtos desidratados e pasteurizados, eliminam o risco microbiológico, dispensam refrigeração no armazenamento (antes do preparo) e garantem padronização de textura mesmo em dias quentes, evitando que a sobremesa “desande” na vitrine.

Da mesma forma, o coco é um ingrediente logísticamente complicado. O coco verde ocupa muito espaço na câmara fria e gera um volume imenso de lixo com as cascas. Já o coco seco oxida e azeda rapidamente após aberto. 

A utilização de água de coco UHT e derivados processados da Coco do Vale resolve esse gargalo. Com a tecnologia de envase asséptico, você armazena o produto em temperatura ambiente (liberando espaço valioso na geladeira para as carnes) e só refrigera o que for usar, com garantia total de esterilidade e shelf-life estendido.

Leia também: Práticas de gestão de estoque no foodservice

Logística ágil e controle de estoque

Por fim, a gestão de perecíveis eficiente depende de não estocar “vento” ou excesso de mercadoria. Um estoque abarrotado impede a refrigeração correta e aumenta o risco de vencimento de produtos ocultos no fundo das prateleiras. Utilize o método PVPS (Primeiro que Vence, Primeiro que Sai) rigorosamente.

A parceria com um distribuidor que garanta entregas frequentes é vital. A capacidade logística da TAF Distribuidora, com entregas em até 24 horas em diversas regiões de Santa Catarina, permite que você trabalhe com estoques mais enxutos e frescos, transformando o custo fixo de armazenamento em fluxo de caixa dinâmico.

O verão exige vigilância. Ao aplicar rigor no recebimento, inteligência na organização da câmara fria e tecnologia na seleção de produtos, você blinda seu estoque contra o desperdício e garante que o único calor sentido na sua operação seja o do movimento das vendas.

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