Como a precificação pode impactar o lucro do seu varejo alimentar

Se você é dono de um pequeno comércio de alimentos, uma mercearia de bairro, um mini mercado ou até mesmo um armazém familiar, sabe que é importante a precificação e que ela influencia diretamente no lucro. 

Muitas vezes, o que separa o lucro do prejuízo no fim do mês não é a quantidade de vendas, mas sim a maneira como os produtos foram precificados.

Apesar de parecer um detalhe, a precificação tem um impacto direto na saúde financeira do seu negócio. Preços mal calculados, sem critério ou estratégia, podem afastar clientes, prejudicar a margem de lucro e até comprometer o funcionamento do varejo como um todo.

Neste artigo, produzido pela TAF Distribuidora,vamos mostrar por que a precificação é um dos pilares do sucesso e como você pode aplicar boas práticas para aumentar seu lucro de forma consciente e sustentável.

A precificação como ponto de equilíbrio do seu negócio

A precificação é mais do que definir quanto o cliente pagará. Ela envolve uma análise profunda dos custos, do comportamento de compra, da concorrência e da proposta de valor do seu varejo. Quando feita corretamente, ela ajuda a atrair clientes, gerar competitividade e manter as contas no azul.

No varejo alimentar, onde muitos produtos possuem prazos curtos de validade, margens apertadas e alta rotatividade, precificar corretamente é vital. Um erro de centavos por unidade pode significar perdas significativas no fim do mês.

Por outro lado, entender a lógica por trás da formação de preços permite evitar prejuízos e ampliar as margens em produtos estratégicos e criar ofertas que atraiam clientes sem comprometer o caixa.

💡Leia também: Práticas de gestão de estoque no foodservice

O que pode estar prejudicando sua margem sem que você perceba?

Imagine que você vende um pacote de arroz por R$ 25, mas o custo de aquisição foi R$ 20. 

Em tese, você tem R$ 5 de margem. Mas, e se você esquecer de considerar custos como energia elétrica, perdas por vencimento, comissões, impostos e transporte? Ao final, esse produto pode estar gerando lucro quase zero, ou até prejuízo.

Muitos pequenos comerciantes caem nessa armadilha. O preço é definido com base apenas no valor da nota fiscal do fornecedor, sem considerar todos os gastos envolvidos na operação do ponto de venda.

Além disso, alguns varejistas mantêm preços muito abaixo do mercado como estratégia para atrair clientes.

Embora isso possa gerar volume de vendas, o que importa mesmo é o resultado líquido de cada transação. Vender mais nem sempre significa ganhar mais, especialmente quando o preço praticado não cobre os custos totais.

Outro erro comum é manter preços desatualizados por longos períodos. Com a inflação e as variações constantes nos custos logísticos e operacionais, é preciso revisar a precificação com frequência para garantir que os preços continuem coerentes com a realidade.

💡Leia também: Impacto do delivery no setor alimentar

Entendendo os custos do seu negócio

Para precificar bem, o primeiro passo é conhecer profundamente os custos envolvidos na operação. Isso vai muito além do preço que você paga ao fornecedor.

O custo de um produto deve incluir tudo o que está relacionado à sua venda: custo de compra, frete, despesas com armazenamento, perdas por validade vencida, energia elétrica, salários, impostos, taxas de cartão e até mesmo limpeza e manutenção do ponto de venda.

Por isso, é recomendável calcular um percentual médio de custos indiretos e aplicar esse índice ao valor de compra de cada produto. Assim, você consegue chegar a um custo total mais realista.

Conhecer os custos não apenas evita prejuízos, mas também serve como base para definir a margem de lucro de maneira mais segura.

A importância da margem de lucro bem calculada

A margem de lucro não deve ser arbitrária ou baseada em “achismo”. Ela precisa refletir tanto os objetivos financeiros do seu negócio quanto o comportamento do consumidor e a realidade do mercado.

Produtos de alta concorrência, como arroz, feijão e óleo, geralmente operam com margens menores. Já itens com valor agregado, como produtos gourmet, importados ou de conveniência, permitem margens mais elevadas.

É importante encontrar um equilíbrio entre margem e volume. Um produto com margem baixa pode ser rentável se tiver alto giro. Por outro lado, um item com pouca saída precisa de uma margem maior para compensar o espaço e o capital que ocupa no estoque.

No fim das contas, o segredo está em ter uma visão clara de quanto cada produto contribui para o lucro total da loja.

Conhecendo o mercado e seus concorrentes

Outro aspecto essencial da precificação é a análise do ambiente competitivo. Mesmo sendo um pequeno varejo, o seu negócio faz parte de um ecossistema comercial. O cliente compara preços, produtos e experiências. E com o aumento do acesso à informação, isso se tornou ainda mais comum.

Por isso, é necessário observar o comportamento da concorrência. Saber quais produtos estão em promoção nos mercados da região, quais marcas estão sendo mais procuradas e como os preços variam pode ajudar você a tomar decisões mais assertivas.

No entanto, é preciso cuidado. O objetivo não é entrar numa guerra de preços, que pode ser insustentável para o pequeno comerciante. O foco deve ser alinhar o preço ao valor percebido pelo cliente, oferecendo vantagens competitivas como atendimento próximo, conveniência, confiança e produtos de qualidade.

Métodos eficazes de precificação no varejo alimentar

Há várias formas de definir o preço de um produto, e cada uma delas pode ser usada conforme o tipo de mercadoria e o perfil do seu negócio.

Uma das mais utilizadas é o markup, que consiste em aplicar um percentual fixo sobre o custo total do item. É simples de aplicar e ajuda a manter uma uniformidade nos preços.

Outra abordagem é a margem de contribuição, que considera o quanto da receita gerada por um produto está disponível para cobrir os custos fixos e gerar lucro. Esse método é útil para entender quais itens são mais rentáveis, mesmo quando vendidos em menor volume.

Há também a precificação por valor percebido, em que o preço é determinado com base no quanto o cliente está disposto a pagar. Isso é bastante usado em produtos exclusivos ou com diferenciais de marca.

Combinar essas abordagens pode trazer melhores resultados, ajustando os preços conforme a categoria, o público e o objetivo de cada produto.

Exemplos práticos

Método de Markup:

Em uma mercearia, um pacote de arroz custa R$ 5,00. A loja decide aplicar um markup de 100%, ou seja, dobrar o valor do custo para definir o preço de venda.

  • O cálculo seria:
    Preço de Venda = Custo do Produto + (Custo do Produto x Markup)
    Preço de Venda = R$ 5,00 + (R$ 5,00 x 1) = R$ 10,00

Portanto, o pacote de arroz seria vendido por R$ 10,00. Esse método é simples, garantindo que a loja mantenha uma margem fixa sobre o custo de cada item.

Método da Margem de Contribuição:

Em um supermercado, temos dois tipos de queijos sendo vendidos: Queijo Minas e Queijo Prato.

Queijo Minas:

  • Preço de venda: R$ 25,00
  • Custo variável: R$ 15,00
  • Margem de contribuição: R$ 25,00 – R$ 15,00 = R$ 10,00

Queijo Prato:

  • Preço de venda: R$ 20,00
  • Custo variável: R$ 12,00
  • Margem de contribuição: R$ 20,00 – R$ 12,00 = R$ 8,00

Neste caso, embora o Queijo Minas seja mais caro, ele oferece uma margem de contribuição maior (R$ 10,00) do que o Queijo Prato (R$ 8,00), o que significa que, para cada unidade vendida, o Queijo Minas contribui mais para cobrir os custos fixos e gerar lucro. 

Esse método permite identificar quais produtos são mais rentáveis, independentemente do volume de vendas.

Trabalhando o mix de produtos de forma estratégica

O sucesso da precificação também depende de um bom mix de produtos. Nem todos os itens precisam ter alta margem, assim como nem todos precisam ter alto giro. A chave está no equilíbrio.

Os produtos essenciais e de primeira necessidade, como arroz, leite e pão, devem ter preços competitivos, pois funcionam como chamariz. Eles atraem o cliente para a loja e aumentam as chances de que ele compre outros itens.

Já os produtos complementares ou de conveniência, como temperos, doces, bebidas e snacks, podem ser precificados com margens mais elevadas, pois o consumidor tende a compará-los menos.

Produtos de alto valor agregado, como vinhos, carnes nobres ou itens importados, também merecem atenção. Mesmo com menor rotatividade, podem representar uma importante fonte de lucro.

Saber distribuir suas margens entre esses grupos é uma forma inteligente de manter o caixa positivo sem perder competitividade.

Promoções: um aliado que exige cautela

As promoções são ferramentas poderosas para girar o estoque, atrair novos clientes e aumentar o ticket médio. Porém, se feitas sem critério, podem comprometer a margem e gerar prejuízos.

Antes de colocar um produto em oferta, é fundamental calcular sua margem e avaliar se a ação promocional faz sentido dentro do planejamento financeiro.

Uma boa promoção deve ter um objetivo claro, como liberar espaço no estoque, estimular a compra por impulso ou aproveitar uma data comemorativa.

Outra boa prática é montar combos ou kits promocionais. Por exemplo, oferecer um desconto na compra conjunta de molho, macarrão e queijo ralado. Isso aumenta o volume de vendas e ainda melhora o desempenho dos produtos de menor saída.

Mas lembre-se: promoções devem ser temporárias, bem sinalizadas e estrategicamente pensadas.

Validade e perdas: impacto direto no lucro

No varejo alimentar, perdas por validade vencida são um dos principais fatores que impactam a lucratividade. Produtos parados no estoque geram custo, ocupam espaço e, quando vencem, representam perda total.

Por isso, a precificação precisa considerar o tempo de validade dos produtos. Itens com vencimento próximo podem ser vendidos com desconto para evitar o descarte. 

Além disso, o controle rigoroso do estoque e o planejamento de compras são essenciais para evitar acúmulos desnecessários.

Trabalhar com fornecedores que entregam produtos com prazos adequados e boa rotatividade, como a TAF Distribuidora de Alimentos, é uma forma eficaz de reduzir perdas e proteger sua margem.

Como a tecnologia pode facilitar a precificação

Embora muitos pequenos varejistas ainda façam os controles de forma manual, hoje já existem ferramentas acessíveis que ajudam a precificar de forma mais inteligente.

Sistemas de gestão (ERP) permitem controlar estoque, vendas e margens com mais precisão. Planilhas automatizadas também podem ser uma boa alternativa para quem está começando. Até aplicativos de celular já oferecem recursos úteis para registrar preços e calcular markup.

Investir um pouco de tempo na organização dos preços pode fazer uma grande diferença nos lucros ao final de cada mês.

💡Leia mais: Tendências do varejo alimentar para 2025

O papel do fornecedor na sua estratégia de preços

Ter um bom fornecedor é mais do que conseguir produtos baratos. É contar com um parceiro que entende o seu negócio e ajuda a construir uma operação eficiente.

Na TAF Distribuidora, temos o compromisso de apoiar o pequeno varejo oferecendo bons preços e confiabilidade, prazos adequados, variedade de produtos e suporte personalizado.

Com uma relação próxima e transparente com o fornecedor, é possível planejar melhor as compras, negociar condições justas e manter uma operação mais saudável.

Conclusão

Em um pequeno varejo alimentar, não há espaço para erros. A precificação precisa ser uma atividade estratégica, consciente e ajustada à realidade do negócio. 

Mais do que simplesmente aplicar um valor, é necessário entender os custos, conhecer o cliente, acompanhar o mercado e planejar a rentabilidade de cada produto.

Ao aplicar boas práticas de precificação, seu negócio se torna mais competitivo, mais eficiente e mais lucrativo.

E para isso, a TAF Distribuidora está ao seu lado. Com uma atuação focada no pequeno varejo, oferecemos produtos de qualidade, preços justos e um atendimento pensado para quem quer crescer com segurança.

Quer saber mais sobre como melhorar o desempenho do seu varejo alimentar? Fale com a equipe da TAF Distribuidora. Juntos, vamos construir um comércio mais forte e mais lucrativo.

Notícias

Estratégias para minimizar perdas no estoque pós-carnaval

Estratégias para minimizar perdas no estoque pós-carnaval

Passada a euforia do feriado de Carnaval, o setor de food service brasileiro enfrenta um de seus maiores desafios operacionais: a transição para a normalidade do mês de março.  Enquanto os dias de folia costumam registrar picos extraordinários de faturamento e fluxo de clientes, a quarta-feira de cinzas marca o início de uma “ressaca” financeira […]

Gestão de perecíveis no verão: blindando o estoque contra o desperdício

Gestão de perecíveis no verão: blindando o estoque contra o desperdício

Para quem opera no setor de alimentação fora do lar, a equação do verão é impiedosa: enquanto o salão lota com turistas e clientes em busca de lazer, a cozinha enfrenta seu maior desafio térmico.  O maior inimigo do lucro em janeiro é o lixo. O calor excessivo e a umidade elevada, típicos desta estação, […]

O kit veraneio: estratégias de mix para capturar o turista e o consumidor econômico

O kit veraneio: estratégias de mix para capturar o turista e o consumidor econômico

O verão traz para o varejo alimentar, especialmente em regiões litorâneas e turísticas como Santa Catarina, um cenário de oportunidade e, simultaneamente, de extrema complexidade operacional.  O gestor de supermercado se depara com uma dualidade no comportamento de consumo que exige precisão estratégica: de um lado, o turista em “modo férias”, buscando conveniência e gratificação […]

Newsletter

Cadastre-se e saiba em primeira mão as nossas principais novidades.