O kit veraneio: estratégias de mix para capturar o turista e o consumidor econômico

O verão traz para o varejo alimentar, especialmente em regiões litorâneas e turísticas como Santa Catarina, um cenário de oportunidade e, simultaneamente, de extrema complexidade operacional. 

O gestor de supermercado se depara com uma dualidade no comportamento de consumo que exige precisão estratégica: de um lado, o turista em “modo férias”, buscando conveniência e gratificação imediata; do outro, o morador local, que enfrenta o endividamento pós-festas e busca maximizar seu orçamento doméstico.

Para atender a esses dois públicos sem perder rentabilidade ou competitividade, não basta apenas abastecer a loja. É preciso aplicar inteligência na exposição. 

A chave para o sucesso nesta temporada reside em uma segmentação física e visual do layout: utilizar zonas de alto tráfego para a venda por impulso através do kit veraneio, enquanto se recalibra a exposição nas seções principais (a gôndola inteligente) para garantir a fidelidade do cliente residente.

A dualidade do consumidor: impulso contra racionalidade

O cenário econômico para o início de 2026 aponta para um consumidor local cauteloso. Dados indicam que o superendividamento atingiu faixas de renda mais elevadas da classe média, comprometendo o orçamento com dívidas de cartão de crédito e parcelamentos. 

Para este público, a ida ao supermercado em janeiro e fevereiro é uma missão de abastecimento racional, focada em itens essenciais e busca por valor.

Em contrapartida, o turista opera sob uma lógica psicológica distinta. Seu tempo é escasso e sua disposição para pagar pela conveniência é maior. Ele não conhece o layout da sua loja e não quer perder tempo procurando itens básicos. 

Ele busca soluções prontas. É aqui que a estratégia de segmentação de layout se torna vital: o varejista deve facilitar a jornada rápida do turista sem obstruir a compra planejada do morador.

Como montar o kit veraneio ideal para gerar impulso

A criação de “ilhas de veraneio” nas zonas quentes da loja (como a entrada e os corredores centrais) é a tática mais eficiente para capturar o ticket do turista. O conceito do kit veraneio baseia-se em agrupar produtos que solucionam uma necessidade específica de consumo imediato, utilizando técnicas de cross-merchandising.

Limpeza e organização 

A primeira grande oportunidade é o “Kit Chegada”. Quando o turista chega à casa de aluguel, a primeira necessidade é a limpeza e a organização básica. 

Um kit veraneio focado em limpeza deve conter itens essenciais que muitas vezes são esquecidos na bagagem: detergente, esponja, desinfetante, sacos de lixo reforçados e itens de papelaria de alta rotatividade, como os papéis higiênicos (Duetto e Paloma) e toalhas de papel (Maxim) da Sepac. Para complementar, adicione soluções de armazenamento e descartáveis, como os potes e embalagens da Fibraform , ideais para a organização da cozinha temporária.

Ao expor estes itens juntos em uma ilha na entrada, você resolve um problema imediato do cliente e garante a venda de categorias que, se estivessem dispersas na gôndola, poderiam ser compradas na concorrência.

Lazer e diversão

Outra variação poderosa é o kit veraneio de lazer, focado em “Churrasco e Praia”. Neste caso, a ilha deve combinar itens de mercearia e bazar. Utilize o carvão e o sal grosso como base da ilha, mas agregue produtos de maior margem e compra por impulso, como acendedores, espetos, tábuas e descartáveis (pratos e copos). 

Para o café da manhã, crie pontas de gôndola na padaria combinando leites e bebidas lácteas da Piracanjuba com biscoitos, torradas das marcas Renata e Galo, da Selmi. 

Essa combinação facilita a primeira refeição do dia seguinte. Para que essas ilhas funcionem, o visual merchandising é crucial. A altura ideal de “pega” para o consumidor brasileiro situa-se entre 1,20m e 1,30m.

Produtos expostos muito acima ou muito abaixo dessa linha perdem visibilidade. Além disso, a regra é “menos é mais”: evite colocar uma variedade excessiva de itens na mesma ilha para não gerar confusão visual. Focar em dois ou três produtos complementares aumenta a taxa de conversão.

Leia também: Melhores práticas de marketing para mercados

A gôndola inteligente e a fidelização do morador

Enquanto as ilhas capturam o turista, a gestão da gôndola deve ser trabalhada para reter o morador local. A aplicação do conceito de gôndola inteligente envolve organizar os produtos estrategicamente para comunicar preço justo e disponibilidade, combatendo a percepção de carestia típica da alta temporada.

A organização deve respeitar a hierarquia visual e a árvore de decisão do comprador. Produtos de alto giro e marcas líderes devem ocupar a altura dos olhos (áreas nobres), garantindo a visibilidade e a compra rápida. 

No entanto, para atender o consumidor endividado que busca economia, é fundamental introduzir “marcas de combate” ou marcas regionais nas prateleiras inferiores ou adjacentes às líderes. Isso cria uma âncora de preço: ao ver o produto premium mais caro, a opção econômica parece ainda mais vantajosa, validando a decisão de compra racional do morador.

Na gôndola inteligente, a ruptura é proibida. A falta de itens básicos como óleo, arroz, feijão ou lácteos gera frustração imediata no cliente recorrente. É comum ocorrer a “ruptura fantasma”, onde o produto está no estoque da loja, mas não na prateleira. Reposição constante, baseada no giro real e não apenas nas compras, é obrigatória para manter a confiança do consumidor local.

Precificação psicológica e gestão de estoque

Para maximizar os resultados tanto do kit veraneio quanto da gôndola regular, a precificação deve ser estratégica. Técnicas de precificação psicológica, como o uso de finais “,99” ou “,90”, continuam sendo eficazes para transmitir a sensação de oportunidade e preço menor, algo essencial para o consumidor que está comparando valores mentalmente.

Além disso, a gestão de compras precisa estar alinhada com a sazonalidade. Trabalhar com um distribuidor parceiro que ofereça agilidade na entrega e mix variado, abrangendo desde alimentos e bebidas até limpeza e bazar. 

Isso permite que o varejista mantenha estoques enxutos e reponha mercadorias rapidamente, evitando capital parado e garantindo que o kit veraneio esteja sempre montado e disponível nos dias de maior calor e movimento.

O sucesso no verão de 2026 dependerá da capacidade do varejista de operar, na prática, duas lojas em uma: uma de conveniência pulsante para quem está de férias e um supermercado confiável e econômico para quem vive a rotina da cidade.

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